Cidade cenográfica de Lá Na Minha Terra é inspirada em arquitetura popular; veja os detalhes

Para criar a cidade cenográfica de Lavra Seca, dentro dos Estúdios Globo, a equipe de cenografia de “Lá Na Minha Terra” mergulhou em referências da arquitetura popular do Nordeste e do Norte do Brasil, especialmente nas construções de platibandas, característica marcante das fachadas dessas regiões.

A proposta, porém, não era reproduzir fielmente a realidade, mas construir um espaço com liberdade poética para dar vida ao universo fabular da obra. À frente da cenografia de da nova trama das seis está Anne Bourgeois, que volta a trabalhar com Mario Teixeira e Allan Fiterman após a parceria em “No Rancho Fundo” (2025).

A opção visual foi por uma cidade mais vibrante, com cores íntegras e saturadas. Tons vivos de laranja, azul, amarelo e vermelho dominam a paisagem e reforçam o caráter solar e acolhedor da trama. Outro elemento recorrente é a azulejaria presente em praticamente todos os ambientes internos, trazendo grafismos que ajudam a construir a identidade de Lavra Seca.

Essa combinação entre realismo e imaginação aparece em diversos cenários. O mercado laranja, um dos destaques da praça central, foi inspirado em uma construção existente na Paraíba, com ares de castelo. Já a principal igreja da cidade surpreende pela dualidade: toda branca por fora, revela um interior colorido, com azul intenso, detalhes vermelhos e guirlandas de papel típicas das festas religiosas populares.

“O mais curioso nesse projeto, para mim, foi trabalhar em cima da realidade das platibandas, mas com interferências que são extremamente lúdicas. Optamos por ter elementos estéticos que, para além do lúdico, também tivessem uma pegada pop. É a igreja monocromática por fora e colorida por dentro, é o relógio da praça, é o mercado laranja que parece um castelinho. Trabalho com o Allan há bastante tempo e ele me permite ter essa liberdade”, afirma Anne.

A grandiosidade da produção de toda a cenografia da novela pode ser medida pelos números. Estão sendo usados dez cenários fixos de estúdio, que somam 42 ambientes, além de oito cenários pontuais com outros 20 ambientes e três cidades cenográficas que reúnem 18 cenários e 39 ambientes.

A produção de arte, comandada por Guga Feijó, buscou referências em artistas nordestinos para construir a atmosfera de Lavra Seca. Um dos destaques é a contribuição de Emanuel Vitalino, neto de Mestre Vitalino, que produziu peças artesanais em barro especialmente para a novela. As obras enriquecem a trajetória de Dodô (Vicenthe Delgado), filho de Rosenda (Dira Paes) e artista plástico na trama. As peças do artista fazem parte da decoração da sala da casa da família de Rosenda.

A regionalidade também guiou a escolha dos animais de cena. Como a narrativa se passa em um ambiente rural, a equipe precisou encontrar raças típicas do sertão brasileiro, respeitando características descritas pelo autor. Ao todo, cerca de 50 animais participam da produção.

Para garantir a continuidade entre as gravações realizadas na Bahia e no Rio de Janeiro, houve uma criteriosa seleção de exemplares e até a utilização de animais “dublês”. A equipe também desenvolveu mock-ups – uma representação visual realista – para facilitar determinadas cenas. Um exemplo é a cabrinha carregada nas costas pela personagem Lina (Arianne Botelho) em diversos momentos.

“Essa é uma novela muito rural, precisamos contar com os animais que são próprios do sertão, o que é um desafio. O Mario escreveu uma cabra moxotó, então não podemos colocar em cena qualquer cabra. Nem qualquer gado ou cavalo. Existem raças diferentes, raças que são mais resistentes ao clima e às condições do local”, explica Guga.

Confira mais detalhes da cidade cenográfica:

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